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Os Donos da
Verdade
Há uma certa
corrente política, talvez até duas, que se intitula e se nomeia dona absoluta
da verdade.
Dias
atrás, sujeito pertencente a uma delas
achou-se no direito de classificar os que não comungam com suas ideias como “falso
isentão”. Isto é, para o filósofo e cientista político de porta de açougue,
quem se diz moderado, quem combate os
erros e admite os acertos tanto da direita como da esquerda, na realidade, se
afirma não ser “lulista” é porque, na mente de dito sujeito cujo nome não cito
para não dar destaque imerecido, o referido “não lulista” é “bolsonarista”.
Não
sou “lulista” e os que me conhecem há muito tempo sabem que também não sou
bolsonarista. Sou centro-esquerda, mas não posso esquecer que, por estranha
coincidência, os dois piores escândalos de corrupção que tivemos no Brasil
ocorreram quando os lulistas (esquerda, portanto) estavam no poder. E abro um
parêntese para dizer que conheci pessoalmente apenas um pertencente à corrente
do “Nove Dedos” que, quando ocorreu o “Mensalão”, desfiliou-se imediatamente do
PT, por não aceitar aquela barbaridade.
Sou
Brizolista, com orgulho, mas, se me provarem que Leonel de Moura Brizola também
era corrupto, no mesmo momento deixarei de cultuar a memória do governante que
mais fez pela educação no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. Ou me arrumem
um outro governador que, nas mesmas condições de escassez de recursos, no final
da década de 1950, início dos anos 60 plantou nos mais afastados rincões do
chão gaúcho seis mil e trezentas escolas, as famosos “Brizoletas”.
Por
onde ele andou, sempre defendeu com unhas e dentes nossas crianças e o
investimento primordial em Educação.
Pois
bem, cidadão dono da verdade e lulista: não me recordo de haver passado a ti
uma procuração para que me nomeasse, duma hora para outra, como bolsonarista.
Como
diria o Jânio Quadros: não sou-lho! (Como Jânio era perfeccionista da língua
portuguesa, o certo seria não o sou, mas aí teríamos um cacófato ...)
Como
vou ser bolsonarista, quando o homem, enquanto dirigia o país, ficava fazendo
piadinhas com o sofrimento das vítimas da Covid e a dor dos que, como eu e como
boa parte dos brasileiros, perderam amigos e familiares naquela pandemia?
Quem
não sabe que o homem é destrambelhado na hora de abrir a boca.
Mas,
em contrapartida, me digam quem foi que,
na realidade, implantou o PIX no Brasil, em 2020? Alguns dirão que a ideia
surgiu no Governo da Presidenta Dilma, ou seria Presidente Dilme? Pode ser que
seja isto seja verdade, mas por que ela não implantou esta forma de pagamento?
Seria medo de enfrentar o sistema bancário?
É
um dos casos em que se deve dar o braço a torcer. O presidente que seguidamente
falava de forma quase inadmissível a uma autoridade tão elevada, também fez
coisas boas. Pena que desmanchava com a língua o que fazia com o cérebro ...
Este
radicalismo exacerbado que tomou conta do país, em que algumas “mentes privilegiadas”
se acham no direito de jogar toda a população em apenas duas panelas, a dos
lulistas e a dos bolsonaristas, não leva a lugar algum. E mesmo que leve, por
que não pode haver um outro caminho, um outro modo de ver e administrar este
país-continente?
Não
sou bolsonarista, não sou lulista e me reservo o direito de ser assim até
quando eu quiser, por minhas convicções, coerência e formação moral e política.
Sem
a interferência e qualificação de algum filósofo, intelectual, ou cientista
político de meia tigela, formado em algum curso feito pela telepatia da
internet.
E
mais não digo porque não quero e me reservo o direito de não querer ...
28
de junho de 2026.
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